
Era final de tarde, o sol já se despedia de mais um longo e cansativo 8 de dezembro. Fazia frio, e com certeza minha mãe não gostaria de que eu me atrasasse, mais uma vez, para o jantar tão famoso da família Simon. Porém, peguei algumas rosquinhas escondidas do café onde trabalho, para me redimir. Gunther, meu chefe, iria me matar.
Enquanto pensava nas desculpas possíveis e cabíveis para dar ao holandês carrancudo, um homem gordinho e apressado passa por mim, quase derrubando meu pacote de rosquinhas de chocolate no bueiro. E nem sequer pediu desculpas!
Pensei seriamente em xingá-lo ou algo do tipo, afinal, estava estressada e meu dia havia sido péssimo. Mas, ao ver que o homem tinha esquecido seu livro, "O Apanhador no Campo de Centeio", esparramado pelo chão, saí em disparada atrás dele.
Segundos depois, vejo-o atrás de uma das esculturais árvores do Central Park, apontando uma arma calibre 38 a um ser que reconheci imediatamente: John Lennon. Sim, ele mesmo. Cheguei até a pensar que havia voltado para 1980, mas seria loucura demais. Ou não.
Não pensei duas vezes para atirar o pesado livro vermelho em sua direção, deixando-o duro no chão e virado de barriga para cima.
Na manhã seguinte, passando pelo parque como de rotina, o lugar em que até ontem havia o memorial "Strawberry Fields Forever" em homenagem a John, não estava mais lá.
Algo me diz que não tive apenas um sonho qualquer.
O texto nota 10 =P
ResponderExcluirVery good, litlle fat, brinks =D