Não sei o que fazer. Estou sentada na tampa do vaso do banheiro de minha avó, e tenho o maior temor de sair.
Medo de sair pela porta e ser mais bombardeada ainda por aqueles parentes malucos, que só ficam falando da minha vida na minha própria frente. É sério, tenho os familiares mais bizarros do mundo.
Chego com meus pais e cumprimento primeiramente minha avó, que está completando 65 anos hoje. Ela é como uma mãe pra mim, principalmente quando morávamos perto uma da outra. Então, caprichei no presente e comprei aquele vaso de flores que ela tanto queria.Sério, três mesadas minhas foram para esse presente. Espero que ela tenha amado do fundo do coração e coloque num lugar lindo que todos vejam (se quiser até com um bilhete escrito: DA MINHA NETA SOPHIE QUE EU AMO MUITO, -n).
Pelo sorriso e o abraço que ela me deu, a festa já teria valido a pena; mas sempre tem aqueles estraga-prazeres que a tornam um pesadelo pra mim.
Eu estava na minha, me contendo para não comer os petiscos que estavam sendo servidos antes do jantar, sentada no sofá e ouvindo música. Há algum crime nisso? Hum, não. Com certeza, não.Primeiro vem minha tia Rute (isso mesmo, com “te” no fim, sem “th”), com aquele papo de que se eu não quiser ficar pra Titia devo arrumar um namorado logo porque estou encalhada (olha quem falando, tem quarenta anos e dois anos e se casou ano passado! Não disse isso em voz alta, claro. Mas me esforcei bastante, juro).
É por isso que evito demais esses eventos familiares, mas apenas fui gentil e agradeci pela “dica”, dando um sorriso amarelo e saindo dali.
Fui então para fora, e sento no banco de madeira preso na árvore. Voltando a ouvir música, claro. E minha querida prima fofoqueira se aproxima de mim. “Era tudo o que eu queria!”
Aí ela vem com aquele papo de que faz o maior tempão que não nos falamos (em outras palavras: “não estou atualizada com notícias de sua vida pessoal”), e que eu havia emagrecido. OK, corta essa; ela diz isso todas as vezes que nos vemos para mim começar a colocá-la a par das “notícias de minha vida pessoal”. E até parece que minha vida é uma coluna de revista/jornal para ter notícias. Meu dia-a-dia não é nada especial, ao menos se ela considere uma rotina de Acordar-Estudar-Deveres-Dormir, bacana.
Mas tudo isso é porque um garoto chato ficava me ligando e me infernizando ano passado e minha mãe contou para o mundo. Desde então, toda a “parentaiada” acha que minha vida é um agito e a maior emoção (foi difícil explicar isso para minha família grande, então desisti de vez).
Tentando ser o mais gentil possível, apenas sorrio e pergunto como ela está. E, depois de ouvi-la por meia hora falando sem parar, entro lá dentro para olhar as horas. Fico aliviada de saber que já poderia jantar (mas não em paz, então minha alegria foi repentina).
Fico na salada e vario entre tudo da mesa (menos na carne gordurosa), bebendo um pouco de suco de maracujá. O que é muita evolução, mas o problema mesmo era a sobremesa – já que minha avó fazia cada pudim...
Bem, como eu jantei no sofá porque não havia lugar para todos na mesa, não foi falta de educação sair sem os outros terem terminado. Voltei lá para fora para tomar um ar fresco, depois de ouvir atentamente por um longo tempo meu tio falando sobre economia (e que eu devia estudar bastante para ser bem-sucedida no ramo empresarial (?)).
Lá encontro meus primos fofos de cinco e seis anos brincando de espadinha, mas eles disseram estar brincando de esgrima. Fico ali os olhando e pensando: na minha época eu nem sabia o que era esgrima.
Basta eu voltar para dentro e sou atacada novamente. Vem aquela tia que chegou apenas para a janta, e diz na minha cara: “Sophie amada, você emagreceu alguns gramas hein? Vamos ver se consegue se controlar agora nos doces, já que tem essa tatuagem estranha e deformada de um bolinho no braço”.
Preciso que alguém responda com urgência: o que eu fiz para merecer pessoas assim na minha família?
Ignoro completamente o que aquela... Mulher disse e me tranco no banheiro, onde estou até agora.
Vou é sair daqui de uma vez, avisar meus pais que vou voltar de ônibus (dando a desculpa de que estou com cólica – sempre funciona) e vou despedir de minha avó (já que se não fosse por ela eu nem teria vindo, na real). Afinal, com parentes desse tipo, quem precisa de inimigos?
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Lista de Deveres: pág. 188 de matemática, pág. 156 de física e me isolar do mundo familiar de vez.
Família é uma coisa complicada! Acho que todo mundo tem a prima fofoqueira, a tia sem noção, o tio chato...hahaha.
ResponderExcluirSuper normal.
Ainda bem que tem alguns que se salvam, no teu caso, sua avó. Alias, parabéns pra ela. (:
Beeeijo
http://aafilhadomeio.blogspot.com/
Ahahahahah to adorando, sério !! Parabéns
ResponderExcluirÉ incrível como sempre tem pessoas na família com essas características! haha Tem ainda aquela tia que você não vê há um bom tempo que chega e pega nas suas buchechinhas e diz: "- Noossa, como você cresceu!" -.-' AIOEHAIEHA Estou amaando! Parabéns! :)
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